Fonte: Agência BOM DIA

Motivo alegado é obrigação de oferecer veículos com até 8 anos de uso

O Código de Trânsito Brasileiro determina as diretrizes que as autoescolas devem seguir. Dentre elas, há um item que as obriga a “ter veículos de, no máximo, oito anos de fabricação”.

E o cumprimento está cada vez mais complicado para as auto-escolas de Bauru que oferecem as habilitações C (caminhão-baú), D (microônibus) e E (carreta/veículo articulado).

Odair Donizete Santos, 44 anos, é dono da Auto Escola e Despachante Martins, a única da cidade a contar com veículo para habilitação E.

“Até este ano a norma era que estes veículos poderiam ser mais velhos, contanto que passassem por uma verificação do Cetem [Centro Tecnológico Mecânico]”.

O Cetem é responsável por verificar a segurança veicular. Porém, segundo determinações do Detran, a norma dos oito anos deve ser aplicada a veículos das categorias C, D e E a partir de 17 de julho. “É uma situação complicada para adquirir esses veículos mais novos.”

‘Não temos dinheiro para isso’
Marco Antônio Petersen, 49, proprietário da Auto Escola Agenor Meira, teve que comprar um ônibus novo para continuar oferecendo a habilitação D.

“Tive que investir R$ 80 mil, quando meu capital é bem inferior. Tive que desfazer de três veículos para conseguir”, diz.

Ele conta que toda esta mudança aconteceu sem aviso prévio às autoescolas. “Existe um sistema que gerencia os veículos das autoescolas. Repentinamente as placas de ônibus, micro-ônibus e carretas com mais de oito anos sumiram do sistema, sem aviso”, reclama.

O Sindicato dos Proprietários de Auto Escolas protocolou um pedido em 23 de março para a prorrogação do prazo-limite para a regularização, mas nada mudou.

“A mudança tem que ser gradual. Eu só fiz o sacrifício porque realmente não posso parar”.

Marco conta que teve de parar por 30 dias as matrículas para carta do tipo D para se adequar. “Tive que ressarcir muitos alunos, me deu prejuízo”. O Detran informa que o prazo está mantido.