Fonte: Folha de S.Paulo.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) prorrogou até 31 de dezembro, a pedido do Ministério dos Transportes, a autorização para que os caminhões circulem no País com excesso de peso por eixo de até 7,5%. É a quarta vez em menos de dois anos que o órgão adia a volta da tolerância máxima de 5% de sobrecarga, que foi flexibilizada em 1999. O sobrepeso é considerado um dos principais responsáveis pela deterioração das estradas brasileiras.
A tolerância máxima de 5% era suficiente para comportar as margens de erro de pesagem e foi alterada na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, após a greve nacional dos caminhoneiros. A flexibilização da tolerância deveria ter acabado no começo de 2009, mas o Contran vem postergando a decisão a cada semestre. Segundo Neuto Gonçalves dos Reis, da associação de transporte de carga NTC & Logística, cada 1% de excesso de peso diminui em mais de 4% a vida de um pavimento. De acordo com esse cálculo, um asfalto que deveria durar dez anos sobrevive menos de quatro anos se todos os veículos rodarem com 7,5% de sobrecarga. Em nota, o Contran afirma que vai aguardar a conclusão de estudos do Inmetro para a pesagem de caminhões que transportam granéis sólidos e líquidos, cuja carga se movimenta com facilidade. Os testes, segundo o Contran, são importantes para comprovar a adequação das balanças.
Fonte: Zero Hora
Estudo do Detran aponta que número de vítimas em colisões e atropelamentos no semestre ficou próximo ao de assassinatos
Se você teme morrer nas mãos de bandidos ao sair de casa, saiba que o volante se transformou em uma arma tão perigosa como revólveres e pistolas no Estado.
É o que indica um estudo do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) sobre os acidentes com vítimas fatais no primeiro semestre: o número de mortes em colisões e atropelamentos é muito próximo ao total de homicídios registrados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Ao longo dos primeiros 180 dias do ano, foram 846 óbitos no trânsito e 848 assassinatos. Na prática, é como se diariamente morressem quatro pessoas em acidentes e outras quatro assassinadas.
Ao cruzar estatísticas, fica evidente que os gaúchos preocupados com assaltos devem redobrar a atenção na hora de pegar a direção. Cerca de 43% das mortes ocorrem em acidentes em vias urbanas e aproximadamente 55% dos óbitos, entre as 19h e as 7h.
– À noite, as pessoas acreditam estar sozinhas nas ruas, sentem-se menos ameaçadas. Por isso, tornam-se desatentas, especialmente quando estão em vias urbanas – explicou o professor de trânsito e transporte da Unisinos João Hermes Junqueira.
A comparação entre os dois tipos de morte se torna ainda mais assustadora quando se leva em conta o perfil das vítimas de homicídios no Estado. Cerca de 70% dos casos estão relacionados ao tráfico, seja devido a acertos de contas entre criminosos e usuários ou ainda a disputas por bocas-de-fumo, segundo o delegado Bolívar Llantada, titular da Delegacia de Homicídios. Diferentemente dos óbitos no trânsito, onde não há motivação para a morte.
– Falta conscientização para os motoristas de que trânsito mata. E muito. As pessoas se cuidam por um tempo, quando há uma campanha educativa, por exemplo, mas logo voltam ao comportamento antigo. E explode novamente a violência no trânsito – acredita o ortopedista Nelson Tombini, especialista em medicina de tráfego.