Quinta, 11 de Março de 2010


Entre 2003 e 2009, o acréscimo no universo de mulheres habilitadas foi de 40%, ante 27% no de homens, aponta relatório do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

Hoje, elas já são 13,2 milhões, mas o sexo feminino está longe de ser maioria ao volante. De cada 4 carros em circulação no país, calcula-se que apenas 1 seja conduzido por mulheres.

A favor delas, no entanto, está o baixo índice de envolvimento em acidente de trânsito com vítima. Proporcionalmente, homens provocam duas vezes mais, segundo o Denatran.

“Isso mostra que elas são mais atenciosas e precavidas ao volante”, conclui Jaime Waisman, professor de engenharia de transportes da USP (Universidade de São Paulo). Não é à toa que o seguro de um carro guiado por mulher custa menos.

Para a especialista em psicologia do trânsito Maria Salete Romero, o fator é cultural. “Desde criança, meninos são estimulados a brincar de corrida de carrinho e de super-heróis, enquanto meninas se divertem acarinhando e enfeitando bonecas”, afirma.

Talvez isso justifique porque homens têm maior dificuldade de aceitar serem ultrapassados ou porque mães condutoras encaram o sinal amarelo como um alerta para pisar no freio.

Homens e mulheres diferem até no tipo de infração que cometem com frequência. Levantamento do Detran-RJ (Departamento Estadual de Trânsito) aponta que as mulheres recebem cerca de 55% das multas por dirigir falando ao celular, se considerada a proporção entre os dois sexos nas ruas e nas estradas fluminenses.

Já em relação ao excesso de velocidade, elas respondem por apenas um quinto das infrações por transitar 50% acima do limite estipulado para a via.

Para o engenheiro José Antônio Oka, supervisor de segurança viária do Cesvi-Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária), o hábito de guiar mais rápido justifica o fato de os homens se envolverem mais em acidentes com vítima.

“O problema de dirigir e falar ao celular é tão grave quanto guiar bêbado. Porém, com o telefone na mão, a infratora, sem a mesma capacidade de concentração no trânsito, acaba reduzindo a velocidade, o que diminui a chance de ferir alguém em caso de batida.”

Diferentemente do que ocorre nos EUA, o Brasil não possui dados estatísticos abrangentes sobre acidentes sem vítimas –quando o prejuízo é apenas material. “Por isso não dá para afirmar que a mulher é melhor motorista que o homem”, pondera o engenheiro do Cesvi.

Não é o que acha o instrutor de autoescola Jairo Antônio da Luz. “Começa que, por conhecerem mais sobre carros, homens costumam menosprezar as aulas e acabam aprendendo menos. Isso reflete no futuro.”

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/07), são considerados crimes:

1. praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor;

2. praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor;

3. deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública;

4. afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída;

5. conduzir veículo automotor, na via pública, sob influência do álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem;

6. violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código;

7. participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade competente, desde que resulte em dano potencial à incolumidade pública ou privada;

8. dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação, ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano;

9. permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada, ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança;

10. trafegar com velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande movimentação e concentração de pessoas, gerando perigo de dano; e

11. inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência do respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito ou juiz.

Fonte: Bem Paraná

Organização terá a responsabilidade de coletar e analisar as estatísticas de acidentes no Estado

Curitiba será a primeira cidade brasileira a contar com o serviço de um Observatório de Trânsito, medida adotada após a realização do Seminário Viver Seguro no Trânsito, que aconteceu no início da semana, no Parque Barigui. O observatório será uma organização não-governamental composta por especialistas no assunto, que terão como objetivo coletar dados e propor atitudes para diminuir os acidentes.

De acordo com o consultor em programas de segurança de trânsito e um dos articuladores do projeto, João Pedro Correia, a decisão da criação da entidade envolveu todos os representantes das 32 cidades paranaenses e oito estados brasileiros participantes do evento. “Foi unânime a ideia de criar o órgão, pela necessidade de se ter fontes desburocratizadas, em uma organização apolítica e apartidária”, explica Correia.

O Observatório de Trânsito do Paraná será uma rede de segurança e troca de experiências entre os municípios do Estado, que irá recolher dados para realizar análises futuras no combate aos acidentes. “Essas informações serão alimentadas no observatório, que vai criar um estudo com causas e consequências”, informa o consultor. Segundo Correia, providências como onde o observatório será instalado e como irá funcionar já estão sendo tomadas.

A nova organização não-governamental foi apadrinhada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), que realiza periodicamente encontros entre secretários municipais e estaduais de transporte para debater a questão. Criar consciência na população, de acordo com o especialista, é a principal função do observatório. “O trânsito no Brasil não é um assunto importante para os gestores públicos e nem para a sociedade. Acabamos elegendo outras prioridades e não damos a atenção devida aos acidentes de trânsito”, lamenta Correia. “Desconhecemos a realidade trágica no Brasil, não temos informações precisas para saber como, onde e por que os acidentes acontecem. Apenas quando conhecermos o que acontece nas nossas ruas é que essa questão deixará de passar despercebida”, acrescenta.

O sistema de geoprocessamento dos acidentes, proposto pelo observatório, é apenas um passo para a tentativa de mudança e criação de responsabilidade no volante. “O projeto em Curitiba é piloto, mas no futuro pode ser estendido a outras unidades da federação”, ressalta o consultor.

A realização do Seminário Viver Seguro no Trânsito foi uma iniciativa das seguradoras do país, que têm desencadeado uma série de ações com foco na promoção da segurança viária. Na última segunda-feira, durante o seminário, foi inaugurado no Parque Barigui o primeiro Memorial às Vítimas do Trânsito do Brasil, para chamar atenção da população sobre os acidentes viários.

Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que o período entre 2010 e 2020 é considerado como a primeira “Década de Ação pela Segurança no Trânsito”. A intenção é alertar os governos nacionais para o problema e levá-los a se comprometer com uma meta de redução global das mortes no trânsito.

Fonte: O Dia - MS

Legislação não especifica o tipo de teste de visão de cores a ser aplicado em candidatos à habilitação.

Placas de sinalização viária que não seguem as cores estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro dobram risco de acidentes.

Hoje 15 milhões de brasileiros, na proporção de 20 homens para cada mulher, têm alteração congênita nos cones, células da retina que distinguem as cores. A disfunção que provoca dificuldade na diferenciação de cores é chamada pelos especialistas de discromatopsia ou daltonismo.

De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, perito em medicina do tráfego e membro da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) o maior desafio dos daltônicos é tirar ou renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) Por conta disso, não faltam iniciativas para facilitar a vida desta parcela da população.

Além do projeto de Lei 4937/09 que tramita na Câmara com a proposta de alterar os formatos das lentes de semáforos, em Campinas as lentes amarelas ganharam uma tarja branca visando facilitar a visualização pelos portadores de daltonismo. Segundo Queiroz Neto, estudos mostram que 75% dos daltônicos têm dificuldade para enxergar a cor verde (deuteranopia), 24% a cor vermelha (protanopia) e 1% a cor azul (tritanopia).


Teste de Ishihara no exame de CNH não é obrigatório

O especialista afirma que resolução 80/98 do Código de Transito Brasileiro prevê que o candidato à CNH deve distinguir as cores do semáforo - verde, amarelo e vermelho - mas não especifica o tipo de teste de visão de cores a ser aplicado, nem exige o diagnóstico negativo de daltonismo.

O problema, comenta, é que muitos candidatos à habilitação são submetidos ao teste de Ishihara para conferir a capacidade de enxergar cores. Formado por círculos coloridos com pontos em verde e laranja que formam números, letras ou desenhos, este teste impossibilita a leitura por daltônicos.

Para o médico o teste de visão de cores com luzes ou cartões coloridos já é suficiente. Isso porque, explica, daltônicos congênitos aprendem a codificar as cores através de outros códigos, uma vez que nasceram assim. Além disso, têm capacidade de diferenciar cores que parecem iguais para o olho normal. No trânsito, explica, isso significa reflexo para desviar de obstáculos com antecipação o que naturalmente evita acidentes.

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou nesta quarta-feira (10), em decisão terminativa, o PLS 528/03. Se esse projeto virar lei, o trabalhador desempregado de baixa renda poderá tirar sua carteira de motorista sem gastar dinheiro: os recursos para a obtenção da carteira nacional de habilitação (CNH), nesse caso, viriam do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).O autor da proposta é o senador César Borges (PR-BA).

O projeto acrescenta um parágrafo ao art. 2º da lei de criação do FAT, para inserir o financiamento da CNH entre as ações a serem promovidas pelo Programa do Seguro-Desemprego.

Na justificação da proposta, César Borges lembra que os trabalhadores desempregados, especialmente aqueles sem qualificação profissional, encontram grandes dificuldades em obter colocação no mercado de trabalho. E afirma que, se a proposta de sua autoria virar lei, abre-se a possibilidade de ampliação das oportunidades de trabalho e de melhores condições de permanência no emprego.

O relator, senador Wellington Salgado (PMDB-MG), afirma, em seu voto favorável à proposta, que entre o pagamento de autoescola e de outras despesas e taxas referentes à realização dos vários exames exigidos, a obtenção da carteira de motorista pode tornar-se inviável para os que não têm recursos financeiros necessários. Wellington Salgado apresentou ao texto original uma emenda de técnica legislativa para citar a lei que se pretende modificar (Lei nº 7998/90).