Terça, 9 de Março de 2010


O prefeito de Curitiba Beto Richa inaugurou ontem (08/03) pela manhã, no Parque Barigui, o Memorial das Vítimas de Trânsito. Construído pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) e pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), entidades presididas respectivamente pelo ex-governador João Elisio Ferraz de Campos e por Robert Bittar (ambos paranaenses), o Memorial foi entregue nesta segunda-feira à cidade e inaugurado pelo prefeito Beto Richa.

Cerca de 400 pessoas assistiram a solenidade, que contou com grande número de autoridades, como os deputados federais Affonso Camargo (PSDB/PR), Ricardo Barros (PP/PR), Osmar Serraglio (PMDB/PR, Marcelo Almeida (PMDB/PR) e Hugo Leal (PSC/RJ). Também participaram do evento o coordenador da unidade de desenvolvimento sustentável e saúde ambiental da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil Diego Gonzáles e o presidente da Associação Nacional do Transporte Público (ANTP) Ailton Brasiliense, além de vereadores a autoridades de trânsito de vários municípios brasileiros.

Despertar

O ex-governador João Elísio Ferraz de Campos disse que o Monumento é apenas uma das ações que o mercado brasileiro de seguros desenvolve visando reduzir o número de mortes no trânsito. Segundo informou, paralelamente à inauguração do Memorial, está sendo realizado o Parque Barigui o Seminário Viver Seguro no Trânsito, que trouxe a Curitiba cerca de 350 técnicos em trânsito de vários municípios brasileiros. “Nós queremos envolver o poder público e a comunidade nesta jornada, que visa despertar as pessoas para a catástrofe do trânsito no Brasil”, disse o presidente da CNSeg. “Não é possível quer continuemos a ver as pessoas perderem a vida em acidentes que poderiam ser evitados se houvesse educação para o trânsito”, afirmou.

Igualmente preocupado, o presidente da Fenacor Robert Bittar quer que esse tipo de ação se repita em todo o Brasil, de forma continuada, “para que, em curto prazo, possamos reduzir esses números”, declarou.
Privilegia a natureza

O projeto do Memorial das Vítimas de Trânsito foi desenvolvido pelo arquiteto da Secretaria Municipal do Meio Ambiente Fernando Canalli. Segundo ele, a concepção e construção do projeto privilegiaram a natureza. “Ele é resultado de uma composição de cinco colinas cobertas de grama, um lago de 300 m² com peixes, emoldurado por pedras de formas e tamanhos variados que pesam de alguns quilos até 10 toneladas, e uma cascata que oferece ao visitante o som da natureza”, disse o arquiteto.

Compondo tudo isso, explica Canalli, foi implantada uma área de 2.000 m² de espécies vegetais nativas de pequeno e médio porte envolvendo o lago e entremeando as pedras. Este conjunto é complementado por uma calçada de 40 metros de comprimento, feita de tijolos maciços e iluminada com “leds”, com desenho e tijolos iguais aos da chaminé da antiga Olaria que, na perspectiva, parece fazer parte da obra. Segundo Canalli, “o Memorial é um cenário carregado de sentido de vida, local ideal para refletir sobre os nossos próprios passos”.

Seminário

Também patrocinado pelo Mercado Brasileiro de Seguros, e em paralelo, acontece no Salão de Atos do Parque Barigui o Seminário Viver Seguro no Trânsito, com a participação de técnicos de diversos municípios brasileiros. Seu encerramento está previsto para a tarde desta terça-feira com a criação do Observatório do Trânsito do Paraná, uma iniciativa pioneira de criar uma entidade não governamental para acompanhar a realidade do trânsito, as estatísticas e as ações propostas pelo setor público para reduzir a violência do trânsito no Estado. O Observatório é uma idéia que há algum tempo está sendo gestada no Paraná e terá a participação da Associação Nacional do Transporte Público (ANTP), entidade presidida pelo ex-presidente do Denatran e do Contran Ailton Brasiliense. “Vamos fazer uma experiência no Paraná, que vai dar certo, a que, em futuro próximo será implantada em todo o país”, afirmou o presidente da ANTP Ailton Brasiliense.

Fonte: Agência BOM DIA

A estatura não ajudava muito: 1m55. Logo ela, que sonhava em ver o mundo do alto, o horizonte limpo de cabeças, costas humanas, árvores, carros grandes. O olhar esbarrava em tudo, nem o salto alto a livrava desse olhar picado, incompleto. Até que um dia a moça baixinha conquistou uma espécie de cadeira cativa sobre rodas. Há exatos seis anos, Elisângela Pereira, 32, foi admitida na ETCD (Empresa de Transporte Coletivo de Diadema) como motorista de ônibus.

De ônibus grande, faz questão de dizer. É a única motorista mulher a conduzir o modelo ‘padron’ – outras duas foram contratadas pela companhia para dirigir micros. “Me sinto poderosa, maior. Mais alta. É o emprego dos meus sonhos”, revela. Foi como se encompridasse as pernas.

Elisângela aprendeu a dirigir aos 12 anos. Quando completou 18, tirou habilitação e abraçou de vez o volante: tornou-se instrutora de auto-escola. Junto com a nova profissão, vieram os olhares desconfiados. “Inclusive algumas mulheres duvidavam da minha capacidade. Tinha que me esforçar em dobro. Porque, se errasse, iam dizer que errei porque sou mulher, e não porque todo mundo erra. Ainda me cobro muito.”

Na auto-escola, passava pelos ônibus e imaginava como seria conduzir um veículo grandalhão. Era fascinada por eles, embora sua única experiência fosse o banco de passageiros. Em 2004, ficou sabendo do concurso da ETCD no último dia de inscrição. Titubeou na hora de preencher a ficha. Não sabia se colocava um xis na opção “motorista” ou “cobrador”. “Achava que não era para mim, que não seria capaz de dirigir.”

Divorciada do marido, com quem teve dois filhos – Guilherme, hoje com 14 anos, e Vinícius, 12 – , Elisângela estava desempregada e em depressão. Não tinha recursos para sustentar os meninos, e teve de entregá-los ao pai. Passar no concurso era questão de sobrevivência.

“No dia da prova prática, até o meu rosto tremia. No dia anterior, pedi a um vizinho que tinha um ônibus para me dar uma aula. Não consegui nem tirar o ônibus do lugar. Achei que ia ser um vexame completo. Mas não podia desistir”. Pois ela fez a prova. O ônibus não empacou. E a baliza foi perfeita. “Muito marmanjo derrubou os cones. Para mim, foi uma superação.”

Respeitada pelos colegas e pelos passageiros, Elisângela segue a vida como conduz o veículo gigante. Com destreza, paciência e disciplina. Os filhos mais velhos continuam morando com o pai, e passam os fins de semana com ela. Paga pensão ao ex-marido, não porque o juiz mandou, mas porque acha justo pagar.

Casou-se de novo, teve outro filho, e separou-se há seis meses. Fez lipoescultura e escova progressiva. Todos os dias acorda às 3h45, embora entre às 6h no trabalho e leve menos de dez minutos para chegar à ETCD. “É que não saio de de casa sem chapinha. Nem pensar!”. Ainda prepara a mamadeira do Artur, 3 anos, antes de deixá-lo com a babá. Enquanto o pequeno se alimenta, gruda no espelho. Maquiagem, decote, salto alto. E o sorriso de sempre no rosto.

No único dia de folga que tem na semana, resolve todo o resto. Vai ao salão, coloca vermelho nas unhas, faz o cabelo. Passa no supermercado, compra os ingredientes que faltam para a lasanha dos meninos. “Adoro cozinhar. Ainda vou fazer faculdade de Gastronomia.” A motorista quer ser chef. Talvez se despeça um dia do volante. Sem dor, nem choro. Porque já é dela a vida vista de cima.

Tramita na Câmara o Projeto de Decreto Legislativo 2401/10, do deputado Hugo Leal (PSC-RJ), que susta a Resolução 335/09 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A resolução estabelece que os autos de infração de trânsito terão validade somente com a emissão do código nacional de registro de infração.

Para a emissão desse código, segundo a medida, os órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Trânsito deverão registrar no Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) as infrações cometidas em sua jurisdição em sistema informatizado próprio.

Hugo Leal afirma que essas normas não poderiam ser criadas por meio de resolução. Segundo ele, uma resolução deve simplesmente estabelecer como será cumprida a lei - no caso, o Código de Trânsito Brasileiro. “[Uma resolução] não pode inovar o ordenamento jurídico, criando obrigações, proibições e medidas punitivas.”

O deputado lembra ainda que, pela Constituição, leis sobre trânsito e transporte são competência privativa da União. Diante disso, ele afirma que os estados, os municípios e os órgãos do Executivo não podem legislar sobre o tema.

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